A sustentabilidade como estratégia

O Fórum das Iniciativas Empresariais do FGVces fechou o ciclo 2018 e trouxe para debate a importância de internalizar a sustentabilidade nos processos de tomada de decisão 14/12/2018
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Cada vez mais as empresas são compelidas a repensar sua estrutura, formas de gestão e mesmo o modelo de negócio. Esse tensionamento vem de consumidores, mercados externos e até de investidores que já consideram em sua tomada de decisão aspectos da agenda da sustentabilidade das empresas. Essa foi uma percepção recorrente nos debates do Fórum das Iniciativas Empresariais (iE) do Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV EAESP (FGVces), que ocorreu no dia 4 de dezembro, no Farol Santander, em São Paulo. O Fórum, fechando o ciclo 2018, deixou clara a necessidade de maior integração da agenda da sustentabilidade efetivamente nas estratégias dos negócios.

É fundamental, na atuação do FGVces, o entendimento de que a busca pelo desenvolvimento sustentável só ocorrerá através da conexão dos diversos atores. “Nesse momento, o tipo de desafio que a sustentabilidade enfrenta não é só técnico, mas de mostrar que [o desenvolvimento sustentável] é a humanidade avançando para termos melhores condições de enfrentar os desafios”, afirmou Aron Belinky, coordenador do programa Produção e Consumo Sustentáveis do FGVces. Ao comentar o contexto global e nacional e a necessidade de acelerar decisões e ações para o desenvolvimento sustentável, Belinky destacou o papel do setor privado.  “É importante entender as empresas como ponto de apoio nessa agenda, que deve ter mais dificuldade daqui para frente.”

Nesse contexto, as Iniciativas Empresariais (iE) são uma rede que busca a cocriação de conhecimentos e ferramentas, além da troca de experiências com a missão de transformar desafios da sustentabilidade em oportunidades de criação de valor e avançar na construção de um novo modelo de desenvolvimento.

As iE, que se dividem em cinco iniciativas — Ciclo de Vida Aplicado (CiViA), Desenvolvimento Local e Grandes Empreendimentos (ID Local), Empresas pelo Clima (EPC)Inovação e Sustentabilidade na Cadeia de Valor (ISCV)Tendências em Serviços Ecossistêmicos (TeSE)  —, nesse ciclo, tiveram como agenda integrada comum a todas o desafio de internalizar os conceitos e métodos nos processos de tomada de decisão e planejamento interno, notadamente, também por meio da lógica econômico-financeira. 

O conceito de Triple Bottom Line marcou uma mudança de paradigma na gestão de empresas ao pôr questões socioambientais em pé de igualdade com o aspecto financeiro. Contudo, em consonância com a ideia de integração, Amalia Sangüeza-Pardo, superintendente de sustentabilidade do Santander Brasil, percebe que “estamos em um momento diferente, o Triple Bottom Line de fato vira um ‘Single Bottom Line’, mas composto pelas três questões. Quando vemos as metodologias, as mensurações, as métricas, cada vez mais comprovamos que não há mais resultados separados.”

Em sua fala, destacou que investidores estão se preparando para avaliar como as empresas estão gerindo as questões socioambientais que geram riscos e oportunidades. Novas métricas também estão sendo desenvolvidas pelos bancos a fim de melhor realizar a classificação de crédito considerando a gestão da sustentabilidade e avaliando a resiliência dos portfólios de investimento aos riscos e impactos das mudanças climáticas.


O evento promoveu o debate sobre a novas perspectivas e abordagens para a gestão em sustentabilidade e um segundo painel trouxe a atuação empresarial nos territórios a partir da visão sistêmica sobre os temas da sustentabilidade. As empresas puderam trocar experiências sobre o que foi desenvolvido durante o ciclo 2018.

“Não tem como não pensar em sustentabilidade uma vez que eu dependo da floresta para o negócio prosperar e ser perene”, afirmou Luciana Alvarez, gerente de sustentabilidade e comunicação da Duratex, ao falar sobre as motivações para se engajar na sustentabilidade. A percepção da escassez dos recursos naturais põe em evidência a necessidade de diminuir impactos e promover uma gestão que considere os limites do uso de recursos. 

“Sustentabilidade é uma jornada, e parece que a gente sempre está começando, porque quando dominamos um tema, vem outro”, analisou Mônica Melo Alcântara, gerente de sustentabilidade da Atvos, que destacou a necessidade de esforço para que a agenda saia dos escritórios e equipes de sustentabilidade para impactar a operação. Os participantes dos painéis também mostraram a relevância de alcançar e sensibilizar o consumidor para que tome decisões mais informadas e responsáveis.

O planejamento também passa por entender as especificidades dos locais onde a empresa atua, porque é no território que de fato estão os impactos diretos e também as potencialidades de desenvolvimento. Milena Murta, coordenadora de responsabilidade social da Brookfield Energia Renovável, subverte o termo usual de comunidades no entorno: “Consideramos comunidades vizinhas. Somos nós que chegamos depois”. Ela cita também a construção participativa com as comunidades dos projetos de modo que o Investimento Social Privado seja voltado para as necessidades locais e o fortalecimento das potencialidades que o território possui.


“A única maneira de entregar esse desafio com a escala, velocidade e a urgência que ele tem, é de fato fazer parceria”, diz Thiago Pereira, Coordenador de Parcerias para o Desenvolvimento Sustentável da Klabin, que fala da parceria da academia e o setor privado nas Iniciativas Empresariais, mas que enfatiza a necessidade de parcerias entre o setor privado, como com a sociedade civil e o poder público.

No próximo ciclo, as Iniciativas Empresariais, juntamente com as capacitações técnicas e projetos aplicados, também terão um formato renovado em conformidade com a necessidade expressa pelas empresas de maior integração temática. As cinco iniciativas estarão reunidas em desafios multi-temáticos e multi-disciplinares para avançar nas discussões e na busca por soluções aos desafios reais das empresas. Saiba mais sobre os desafios e demais atividades do próximo ciclo aqui.